Lidando com pensamentos intrusivos

Sabe aquele tipo de pensamento que, de repente, pipoca na mente? Você não estava esperando, não tinha nada a ver com o contexto, mas mesmo assim o pensamento estava ali. Pensamentos como "E se eu saísse correndo agora e batesse naquele fortão da academia?", "E se eu falasse pra minha amiga que ela é gorda e feia?", "E se eu botasse sal no café?", "E se eu ficasse doente se encostasse na porta?" podem vir na cabeça de qualquer um. O que cada pessoa faz com isso é que pode ser o grande diferencial entre o viver bem e o viver mal.



Pensamentos intrusivos são comuns a todas as pessoas. A maioria não liga, responde a eles como "Ah, já pensou? Impossível!". E rapidamente o foco do pensamento vai para outro lugar. Porém, uma outra parcela da população pode ficar muito encucada quando algo desse tipo vem à mente. Essas pessoas não conseguem mudar o foco e, quando percebem, já estão muito angustiadas.


Alguns transtornos de ansiedade são marcados por pensamentos intrusivos, especialmente o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), ambos marcados por uma intensa intolerância à incerteza. Geralmente as pessoas acometidas por esses transtornos têm uma coisa em comum: a necessidade de controle. E qualquer coisa que soe fora desse controle ou que pareça ser imprevisível se torna um desafio, muitas vezes difícil de suportar. Nós falamos sobre o TAG no artigo "Quando a Preocupação Passa dos Limites". Portanto, hoje frisaremos no TOC brevemente para contextualizar melhor este texto. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo é marcado por obsessões e compulsões, como o nome sugere. Obsessões são pensamentos intrusivos, geralmente negativos, involuntários, difíceis de desfocar e que causam imenso desconforto e ansiedade. Para aliviar essa angústia, o portador de TOC geralmente realiza compulsões comportamentais ou mentais para neutralizar a obsessão. Por exemplo, um pensamento como "E se a porta não estiver bem fechada e um bandido entrar na minha casa?" pode gerar tanta angústia que a pessoa precise verificar várias vezes - às vezes de um jeito bem peculiar - que as portas e janelas estão trancadas (o que seria a compulsão), mesmo já tendo trancado tudo antes. O problema é que a tendência é isso virar um ciclo sem fim: após a realização da compulsão a ansiedade baixa rapidamente, mas depois esta (ou outra) obsessão volta e a pessoa precisa fazer tudo novamente. O TOC é um assunto muito amplo, e neste artigo o foco é voltado para os pensamentos intrusivos.Porém, fica a promessa de um artigo aqui só sobre esse problema.


Como lidar com os pensamentos intrusivos?



1. Pessoas ansiosas tendem a dar muita atenção aos seus pensamentos. É como se acreditassem que "se eu fui capaz de pensar nisso, então possivelmente este pensamento pode se tornar realidade". Porém, esse caminho leva apenas a mais preocupações e mais ansiedade. A primeira coisa a se lembrar é que pensamentos não são comportamentos. Entre pensar e agir há uma grande diferença.


2. Quanto mais você tentar afastar o pensamento ou "fazer o cérebro parar", mais o pensamento persistirá. Vou dar um exemplo usando um simples exercício. Siga minhas instruções: nesse exato momento você NÃO pode pensar num coelho rosa. E aí, conseguiu? Provavelmente não. Até porque, para parar de pensar, você precisaria evocar o coelho primeiro na sua imaginação. O mesmo acontece com os pensamentos, quando tentamos afastá-los, é uma forma de reafirmarmos que eles estão ali.


3. Tente lidar com naturalidade com as coisas que lhe vêm à mente, por mais esquisitas que elas sejam. Pensamentos são só pensamentos. Uma coisa vir à mente não significa que ela seja verdadeira ou que lhe ponha em risco. Tente observar com curiosidade o que lhe vem à cabeça, sem julgar se o conteúdo do pensamento é bom ou ruim. Assim, você facilitará que o pensamento venha e que você o entenda sem tomá-lo como verdadeiro. Assim, poderá ter uma maior facilidade de lidar com ele.



Artigo originalmente publicado no blog Papo de Psicólogo.

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