Tratamento Gratuito para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático em Nova Friburgo

Hoje vamos tratar de um assunto de utilidade pública: viemos divulgar um grupo que oferece tratamento gratuito para pessoas de Nova Friburgo que estão em sofrimento. (Clique no título do post para ser direcionado ao site do projeto).


Todos sabemos que a Região Serrana do Rio de Janeiro sofreu muito com os desastres causados pelas chuvas no começo desse ano, afetando cidades como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. A população dessa região passou por sérias dificuldades ao ver ou perder seus bens, entes queridos e ter sua própria vida sob risco extremo. O que muitos imaginam, mas poucos sabem, é que esse tipo de situação favorece o surgimento de um problema muito sério, que é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).


O TEPT pode se desenvolver em pessoas de todas as idades que vivenciaram ou testemunharam situações em que suas vidas ou a de outras pessoas foram ameaçadas, sendo que na ocasião tiveram a sensação de muito medo, impotência ou pavor. Exemplos dessas situações são desastres naturais, assaltos, sequestros, estupros e acidentes, entre outros.


Geralmente os sintomas aparecem após cerca de 3 meses do evento traumático, sendo que em alguns casos esse tempo pode ser bem maior. A pessoa passa então a "reviver" esse momento de pavor por meio de pesadelos, pensamentos indesejáveis que vêm à sua cabeça e ela não consegue controlá-los ou expulsá-los (chamados de pensamentos intrusivos) e flashbacks. Quando se aproxima de algo que simbolize ou lembre algo ligado à essa situação, sofre profundamente e chega a ter reações como coração acelerado, tremores, sudorese, falta de ar e tonteira (entre outros), podendo até mesmo chegar a um ataque de pânico. O autor Robert Leahy, em seu livro "Livre de Ansiedade" (2011), descreve que o TEPT é como uma falha na "digestão psicológica", incapacitando a pessoa de processar imagens, emoções e pensamentos difíceis. A sensação que a pessoa tem é de que já que algo tão terrível aconteceu, coisas horríveis podem (e vão) acontecer de novo.


A partir daí, passa a evitar qualquer contato com pessoas, situações e qualquer outra coisa que lhe lembre o evento traumático, inclusive pensamentos. Com isso, o TEPT pode limitar muito a vida de uma pessoa, fazendo-a perder o interesse por atividades que antes gostava e se afastar de pessoas queridas. Um indivíduo com TEPT pode passar a parecer alguém muito diferente do que sempre foi. Além disso, pode se tornar mais irritadiço, menos concentrado, ter insônia e reagir de forma abrupta a coisas que todos consideramos tranquilas.


É imporante ressaltar que nem todas as pessoas que passam por situações perigosas ou ameaçadoras desenvolvem esse transtorno: pesquisas americanas mostram que entre 40 e 60% das pessoas já foram expostas a um trauma, mas que apenas 8% dessa população desenvolve o TEPT (LEAHY, 2011).


Mas nem tudo é tão triste: a boa notícia é que o TEPT tem tratamento! Os estudos têm mostrado que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta ótimos resultados, atingindo a remissão total dos sintomas em 2/3 dos casos.


Mas como é esse tratamento?


A base da terapia é a seguinte: as emoções negativas (medo, nervoso, tristeza) não surgem como causa direta do trauma, mas sim da forma como a pessoa vê esse trauma, como ela interpreta a situação. Muitas pessoas com TEPT sentem-se culpadas, perdidas e incapazes, sendo que geralmente eles não tiveram escolha ou culpa diante da situação que vivenciaram. O terapeuta ajuda o paciente a resignificar esse evento traumático, ou seja, faz questionamentos e ajuda a pessoa a repensar a situação, se ela realmente é isso tudo que ela pensa ser. Ele trabalha diretamente com técnicas para que o paciente aprenda a manejar a ansiedade e, aos poucos, conseguir entrar em contato com aquilo que tanto faz o paciente sofrer. É isso mesmo: para a pessoa conseguir ter um olhar diferente sobre o que lhe aconteceu, ela precisa, primeiramente, olhar para aquilo que ela tanto evita - só que muito mais preparada! Parece simples, mas não é. O terapeuta precisa respeitar o tempo do paciente e desenvolver uma relação de respeito e confiança.


Para quem quiser conhecer melhor este problema por meio de filmes, recomendamos assistir Reine Sobre Mim, filme de 2007 com Adam Sandler no papel principal.


E, caso conheçam alguém que esteja sofrendo deste problema (ou pareça estar) e não sabe o que fazer, não esqueçam de divulgar este trabalho fantástico e de ótima qualidade coordenado pela Prof. Paula Ventura (UFRJ) e sua equipe: Tratamento Gratuito para TEPT em Nova Friburgo.




Referências:


AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (1994), "Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV-R". Washington, DC: American Psychiatric Press.


LEAHY, Robert (2011), "Livre de Ansiedade", Porto Alegre: Artmed.


RANGÉ, Bernard (2005), "Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais - Um diálogo com a Psiquiatria", Porto Alegre: Artmed.


Artigo originalmente publicado no blog Papo de Psicólogo.

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